Casal da Coelheira à prova
Nuno Falcão criou uma família consistente de vinhos, num Ribatejo que insiste em ser cada vez mais inconsistente.
Fica mesmo ao pé de Santa Margarida, onde os Comandos andam aos tiros e a correr para trás e para diante, a Quinta do Casal da Coelheira. O espaço foi até há bem pouco dos herdeiros do grande industrial metalúrgico – que fez as famosas Berliet para os ditos comandos – chamado Duarte Ferreira. Vicissitudes diversas fizeram com que a casa entrasse em colapso, adquirindo as terras o pai de Nuno Falcão, que deixou os sítios onde trabalhava como responsável agrícola – ele é engenheiro mesmo engenheiro do ISA – para se dedicar ao projecto familiar.
Dá gosto estar com o enólogo no acolhedor espaço de enoturismo, em pleno centro do Tramagal. A sua simplicidade e simpatia deixam muito boas marcas. Eu já o conhecia dos júris de diversos concursos, de provas, eventos e feiras, mas nunca tinha estado na sua casa. É diferente. É qualquer coisa que eu sinto que não podemos deixar nunca de fazer, ir até casa dos produtores e aí falar e provar com eles. A gama de vinhos Casal da Coelheira começa no vinho corrente, com o qual se enchem muitos garrafões dos locais ao fim de semana, logo a seguir fica a marca “Terraços do Tejo” de recorte simpático e preço absolutamente apetecível. Entra depois a marca Casal de Coelheiros e no topo – mesmo topo – da gama está o já mítico Mythos. Deixámos o vinho de garrafão para trás e concentrámo-nos nas duas últimas marcas.
15 Casal da Coelheira DOC Ribatejo branco 2006 – Macio, descomplicado, sentem-se bem as notas do Fernão Pires. É um vinho bom para todos os dias. PVP 2,55 Euros. Castas: Fernão Pires (90%), Chardonnay (5%) e Malvasia (5%)
15 Casal da Coelheira Regional Ribatejo rosé 2006 – Está bem maduro e resulta fresco na boca. Mostra fruta vermelha, principalmente morangos e termina seco, o que o torna apto para a mesa. Fiquei surpreendido quanto o Nuno me disse que é 100% Castelão, a casta injustamente proscrita das vinhas portuguesas mas a partir da qual ainda se fazem bons vinhos, de perfil moderno. PVP 2,70 Euros.
16 Casal da Coelheira DOC Ribatejo tinto 2006 – Aqui está um mix harmonioso feito a partir das Tourigas Franca e Nacional. Aliás, a combinação está a aparecer muito pelo sul de Portugal, tenho dado por uma aposta forte na Touriga Franca. Fresco e maduro, sem nunca pesar, marchou bem com o queijinho que o Nuno trouxe da queijaria artesanal de um amigo dele. Não podemos esquecer o ano desgraçado que foi 2006, pelo que é um feito ter conseguido um vinho pelo menos consensual. PVP 2,85 Euros.
17 Casal da Coelheira DOC Ribatejo Reserva tinto 2005 – Vinho profundo, com garra e raça, fazendo jus ao lado bom da fama do Ribatejo. É vinho com grande aptidão gastronómica, veio-me à cabeça um cabrito assado com pouca gordura como se faz no Cristina, em Abrantes, ali mesmo ao pé. Castas: Touriga Nacional (60%), Cabernet Sauvignon e Touriga Franca. PVP 6 Euros.
18 Casal da Coelheira Mythos tinto 2004 – Quando um vinho começa a limpar concursos, provas e círculos enófilos, e me toca passá-los pelo meu copo sou muito mais exigente do que com os outros. Mas este Mythos correspondeu totalmente às altas expectativas que dele tinha e digo mais, vou pôr seis garrafas na minha cave. Daqui a cinco anos falamos. PVP 12,50 Euros. Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.
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2007/10/25
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